O mundo anda cheio de oportunidades para
todos e o que eu pareço perder, se assemelha ao que todos parecem ganhar. Sei
que no final, cada um é protagonista do próprio drama, mas se estou exagerando
nos fatos, é porque não consigo conviver com a angústia dos sentimentos sem
nome, que são covardes e não se apresentam com seus cartões de visita. Não sei
o que sinto, e receio não sentir absolutamente nada, pois o estado de letargia
parece me assombrar. É como viver anestesiado, sem sentir dor alguma, e isso
incomoda! Não quero ser a rainha do drama, nem o Rei das minhas convicções, mas
desconfio que estou perdido.
Se por um lado, a vida profissional parece
fluir bem, pelo outro lado sou o protagonista, diretor, coadjuvante de minha
própria história pessoal. E estou preso nela, como se não pudesse cancelar o
filme e voltar para casa, em busca de algum conforto. Quem escreveu o roteiro
fui eu, quem contratou os personagens também, mas quero mudar, reinventar,
porque não suporto olhar para a lista de pessoas que demiti de minha vida. Eu
não quero assistir esse filme, e gostaria que ninguém visse.
No mundo da fotografia digital, me vejo
perseguindo câmaras escuras em busca de negativos do passado. O que pretendo
buscar no passado? “O dedo do destino escreve, e tendo escrito segue adiante.
Nem toda sua devoção e engenho farão com que volte para cancelar meia linha
sequer, nem todas as suas lágrimas apagarão uma só palavra.”
Sinceramente,
não gosto de como me sinto e embora esteja me contradizendo, não quero
absolutamente descobrir o nome para tudo isso. Na verdade, eu não sei o que
quero, e receio que esse looping, não tenha, jamais um fim .Raoni Carrara

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