sexta-feira, 8 de março de 2013

Diretor de meu próprio filme



O mundo anda cheio de oportunidades para todos e o que eu pareço perder, se assemelha ao que todos parecem ganhar. Sei que no final, cada um é protagonista do próprio drama, mas se estou exagerando nos fatos, é porque não consigo conviver com a angústia dos sentimentos sem nome, que são covardes e não se apresentam com seus cartões de visita. Não sei o que sinto, e receio não sentir absolutamente nada, pois o estado de letargia parece me assombrar. É como viver anestesiado, sem sentir dor alguma, e isso incomoda! Não quero ser a rainha do drama, nem o Rei das minhas convicções, mas desconfio que estou perdido.
Se por um lado, a vida profissional parece fluir bem, pelo outro lado sou o protagonista, diretor, coadjuvante de minha própria história pessoal. E estou preso nela, como se não pudesse cancelar o filme e voltar para casa, em busca de algum conforto. Quem escreveu o roteiro fui eu, quem contratou os personagens também, mas quero mudar, reinventar, porque não suporto olhar para a lista de pessoas que demiti de minha vida. Eu não quero assistir esse filme, e gostaria que ninguém visse.
No mundo da fotografia digital, me vejo perseguindo câmaras escuras em busca de negativos do passado. O que pretendo buscar no passado? “O dedo do destino escreve, e tendo escrito segue adiante. Nem toda sua devoção e engenho farão com que volte para cancelar meia linha sequer, nem todas as suas lágrimas apagarão uma só palavra.”
 Sinceramente, não gosto de como me sinto e embora esteja me contradizendo, não quero absolutamente descobrir o nome para tudo isso. Na verdade, eu não sei o que quero, e receio que esse looping, não tenha, jamais um fim .

Raoni Carrara