Depois de muito tempo você se permite ousar a vagar pela inquietude da
alma feminina. Você ousa, tenta, reage e fica inquieto também! Você sai à
procura de monstros e vilões e acha paraísos perdidos. E então você se da conta
do tamanho exótico das flores, das formas inexploradas e das milhões de
espécies que habitam esse vale cheio de cores, formatos, desejos, sonhos,
imagens e sons que jamais escutou antes. É um universo fascinante onde o
incauto viajante jamais encontra mapas para se orientar. Desconfiado você
caminha até onde meninos jamais puderam chegar, e se vê abismado por reconhecer
neste campo, suas próprias pegadas nos momentos em que foi Homem. Reconhece
ali, seus medos, seus anseios e seus erros mais insensatos quando regressou
como menino a simples vida masculina. Não quero ser injusto em classificar tal
lugar como hostil, inóspito ou insólito, mas seria prudente afirmar aos
aventureiros que ha sim perigos por aqui. Afinal, quem se atreve a viajar sem
conhecer o dialeto local? Ou quem provoca a onça do lado de dentro da gaiola? Se
aceita um conselho, seja homem para conseguir o visto, aceite a cultura local e
entenda que você é um forasteiro, e que por mais forte que seja em sua terra
natal, aqui se é apenas um homem correndo riscos de se apaixonar.
Não se iluda achando não haver
lugar aqui, para traquinagens. Seja traquinas, mas ofereça seu lado mais sacana,
sempre ao lado dela, jamais contra. Quando se esta em terreno desconhecido e se
é um forasteiro, o melhor a fazer é se juntar a comunidade local. Compre
presentes, fale sobre coisas boas, aprenda a se comunicar usando sua linguagem.
Ofereça lhe seu melhor e mais sincero sorriso. O universo feminino não é
ingrato e tem uma forma muito especial de retribuir quando se sente amado. A
quem lhes oferece algum alento ou sensação de segurança, pode segurar sua mão,
e dar a certeza de que dias melhores virão nesse nosso frio universo masculino.
O prêmio pode vir disfarçado de timidez, ou de uma fúria assim qualquer, de uma
mulher em dia de sexo selvagem. Nunca se sabe, nunca se tem certeza, não ha
padrões por aqui. Não espere nada em troca, apenas faça, siga os seus instintos
e encontre na mulher a resposta que precisamos para os dias que não aparecem
nas fotografias. Vagar por aqui, é nunca ter certeza do caminho, é irreal,
surreal, caminhar por relógios imensos e desajustados, é incoerente e
fascinante. Por aqui, hoje se vai ao céu, e amanhã ao inferno no primeiro tiro
errado. E quem disse que reclamo? Mas se ainda assim, não puder permanecer muito
tempo por aqui, não faça promessas que não pode cumprir. Afinal, cada coração
partido só enxerga os próprios pedaços...
Antes de carimbar seu passaporte para outros lugares desconhecidos, não
seja leviano. Não saia sem dar qualquer explicação, vá embora mas compreenda
que não haverá respostas exatas por aqui, que jamais compreenderá o fascinante
mundo feminino, é isso que aprendi até agora...Não ha vistos permanentes no
complexo mundo perdido.
Se ha, nunca encontrei a embaixadora dona dos carimbos.
Raoni Carrara

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